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Fique atento ao que você usa na sua pele!

Postado por Equipe Auá em 07/08/2018

Sabemos que os cosméticos que utilizamos possuem uma formulação repleta de ingredientes que a compõe, e muitas vezes não sabemos as funções destas substâncias ou se elas podem trazer algum prejuízo a nossa saúde.

Hoje vemos muitos produtos com o apelo natural, orgânico e vegano e nos perguntamos: “Se já existem produtos que não agridem o meio ambiente, porque ainda fabricam outros no método tradicional/sintético? A resposta vem ligada aos custo de produção, estabilidade do produto e realização de testes para substituição de ativos.

Um dos principais fatores que leva algumas industrias a ainda utilizarem ingredientes sintéticos está ligado ao custo de produção e estabilidade do produto, onde o fato de trocar um ativo como por exemplo o óleo mineral que é um derivado de petróleo por um óleo vegetal modificaria os custos do produto final e muitas empresas preferem permanecer utilizando o mais barato para que seu lucro não seja afetado, sabendo que ao inserir um ativo vegetal em sua formulação o benefício recebido pelo cliente levaria o mesmo muitas vezes a pagar pela diferença.

Em relação à estabilidade, ao utilizar ativos vegetais a estabilidade (mudança de cor original, separação de fases, etc. ) das formulações podem ser afetadas e é necessário mais testes, o que também aumenta os custos de produção do produto. Os ingredientes sintéticos são substâncias com testes realizados a décadas e que possuem uma estabilidade conhecida por serem compostos muitas vezes por apenas uma substância, porém hoje sabemos que muitos destes ativos levam a danos a pele e a saúde do consumidor em geral.

Já os ingredientes naturais por serem obtidos de plantas como os extratos vegetais por exemplo possuem uma composição complexa e diferenciada onde encontramos princípios ativos, vitaminas, ácidos graxos entre outras substâncias e é esta mistura que traz os benefícios para os usuários e por esta complexidade em sua composição muitas vezes desenvolver um cosmético com estes ingredientes pode levar a produtos que separam as fases, espumam menos que os convencionais e mudam de cor com o passar do tempo por exemplo, porém nada disso afeta os benefícios que estes produtos podem levar a saúde do consumidor e ao meio ambiente, levando muitas vezes alterações apenas estéticas no produto.

Fique atenta ao que você usa na sua pele!

Uma substância comum em nossos cosméticos como os sabonetes e shampoos que usamos diariamente são os tensoativos, responsáveis pelo poder de limpeza, de desengordurar nossa pele e cabelos e também pela espuma formada nestes produtos. Um exemplo destes tensoativos, é a dietanolamina de ácido graxo (cocamida DEA). Essa substância possui potencial tóxico e acabam sendo lançadas em corpos d’água através do esgoto que, dependendo da infraestrutura de saneamento disponível para tratamento da água, poderão ocasionar a poluição de rios, lagos e oceanos. Além de alguns tensoativos como o Lauril Éter Sulfato de Sódio um dos principais ingredientes responsáveis pela espuma nos cosméticos pode levar a alergias na pele de algumas pessoas.

As fragrâncias e corantes muito comuns nos shampoos usados para melhorarem a aceitação e apelo do produto no mercado também possuem seu papel nos impactos ao meio ambiente. No meio ambiente, essas substâncias podem aumentar a demanda bioquímica de oxigênio, requerendo um tratamento prévio antes de serem lançadas nos corpos hídricos. Além destas substâncias desencadearem reações alérgicas.

Também existem em nossos cosméticos os conservantes que são utilizados para preservar os produtos de bactérias e fungos que podem reduzir o tempo de vida dos produtos.  Os parabenos são conservantes com amplo espectro antimicrobiano contra fungos e bactérias e são largamente utilizados em preparações farmacêuticas, cosméticos e alimentos. Os tipos mais comuns são o metilparabeno, o propilparabeno, o etilparabeno e o butilparabeno. Entre os produtos que podem conter parabenos estão maquiagens, desodorantes, hidratantes, loções, esmaltes, óleos e loções infantis, produtos para o cabelo, perfumes, tinta para tatuagens e até mesmo cremes de barbear.

Os parabenos podem levar a reações alérgicas onde alguns estudos relataram alergias na pele causadas por hipersensibilidade aos parabenos, como por exemplo dermatite de contato. Também saõ relacionados ao envelhecimento precoce da pele, pois foram observados que o uso de cosméticos com parabenos combinados a exposição a radiação solar causaram danos na pele e ao DNA cutâneo

Como podemos substituir esses componentes na nossa vida?

 

Existem diversas substâncias sintéticas no mercado que podem ser substituídas por ingredientes vegetais. Podemos citar algumas substituições:

Parabenos: Os parabenos são amplamente utilizados em cosméticos convencionais como conservantes, porém hoje existem várias especulações sobre o risco a saúde destes produtos, como alergias por exemplo. Uma ótima opção para substituição dos parabenos nos cosméticos são os óleos essenciais que são óleos aromáticos extraídos de plantas e que além de trazer um ótimo aroma natural ao produto são excelentes bactericidas e fungicidas.

Óleo Mineral: O óleo mineral é um produto derivado do petróleo e que é muito utilizado em cosméticos principalmente em hidratantes e condicionadores por exemplo e atua como emoliente; porém o óleo mineral é conhecido por criar uma barreira na pele que impede a absorção de outros ativos benefícios como por exemplo vitaminas presentes nos produtos. Uma boa opção para substituição deste ingrediente sintéticos são os óleos vegetais como semente de uva, jojoba, etc. que possuem diversas propriedades como hidratantes e emolientes além de serem ricos em ômega 3,6 e 9.

Referências

 

ZUCCO, Alba; SOUSA, Francisco Santana de; ROMEIRO, Maria do Carmo. COSMÉTICOS NATURAIS: UMA OPÇÃO DE INOVAÇÃO SUSTENTÁVEL NAS EMPRESAS. In: ENCONTRO INTERNACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE, 1., 2012, Santa Catarina. Anais… . Santa Catarina: Engema, 2012. p. 1 – 13.

 

MIGUEL, Laís Mourão. A BIODIVERSIDADE NA INDÚSTRIA DE COSMÉTICOS: contexto internacional e mercado brasileiro. 2012. 259 f. Tese (Doutorado) – Curso de Geografia, Geografia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.

 

HARVEY, Philip W.; DARBRE, Philippa. Endocrine disrupters and human health: could oestrogenic chemicals in body care cosmetics adversely affect breast cancer incidence in women?. Journal Of Applied Toxicology, [s.l.], v. 24, n. 3, p.167-176, maio 2004. Wiley-Blackwell. http://dx.doi.org/10.1002/jat.978.

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